
O Metropolitan Museum of Art inaugurou, do dia 27 de abril a mostra Picasso in The Metropolitan Museum of Art com a promessa de ser a primeira exposição completa do acervo do artista no museu. Esta mostra, que fica em cartaz até o dia 1 de agosto, apresenta 300 obras que vão desde as emblemáticas fases iniciais Rosa e Azul, passa pelas essenciais fases cubistas e desagua nos heterogêneos e singulares trabalhos do Picasso pós-cubista.
Entre pinturas, desenhos, esculturas, cerâmicas e, principalmente, gravuras, o visitante acompanha a evolução do mestre em uma linha temporal que começa com “Eu”, o auto-retrato adolescente pintado aos 18 anos; e culmina com “Nu em pé e mosqueteiro sentado” obra do gênio feita aos 87 anos, em plena maturidade artística.
Como complemento da exposição o Metropolitan expõe imagens do artista clicadas por Man Ray, Brassaï e Arnold Newman, entre outros, além de projeções, conferências, debates e um catálogo completo com 600 ilustrações e a revisão completa da coleção. Sedutor como o próprio Picasso.
A mostra pretende exibir as múltiplas personalidades de um artista que fez o que poucos conseguiram fazer pela arte moderna. Revolucionário, foi um dos mentores do movimento cubista, divisor de águas no que diz respeito às práticas de representação tradicionais e modernas. Foi um dos responsáveis pelas novas formas de pensar o espaço pictórico, agregando a dimensão temporal à própria pintura e, principalmente, libertando o objeto de suas formas naturais rumo a imagens mais desintegradas e complexas.

Extraordinário, porque apesar da enorme revolução que causou na arte, foi ousado o suficiente para ir e vir, propondo trabalhos imensamente racionais e modernos no sentido mais greenberguiano da crítica, juntamente com obras deliberadamente líricas e carregadas de literatura. Assim era Picasso, polifacetado, transbordante de energia criadora e orgulhoso de sua genialidade. Bem cedo conheceu a fama e entendeu seu papel no mundo da arte. Viveu o suficiente para ver o quanto seu trabalho foi revelador.
Já no fim de sua vida, Picasso observou astutamente que sua última esposa, Jacqueline Roque, retirava os pássaros mortos da gaiola, repondo-os em segredo por animais vivos; traquilamente perguntou: estes pássaros nunca morrem? Os pássaros sim, mas Picasso é eterno.














