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Capa - Wlademir Dias-Pino

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Capa - Wlademir Dias-Pino
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Carta aberta por Wlademir Dias Pino
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Por Adolfo Montejo Navas

 A aventura estética de Wlademir Dias-Pino (Rio de Janeiro, 1929), poeta, artista gráfico e visual, caracteriza-se, a partir dos anos finais da década de 1940, por uma atividade sem interrupção, que chega até o presente e se pauta em certo planejamento, quase programático, de atividades e experiências em quinquênios, o que o obrigaria a uma maior mobilidade de interesses e projetos. Esta condição em seis décadas de produção retrata toda uma trajetória cambiante e transformadora, que coloca à prova a coesão e a sincronia de cada uma das empreitadas artísticas realizadas. Sempre alternando pesquisa e produção, o que não deixa de ser paradoxal em certos casos, porque alguns projetos não só superam os limites práticos impostos pelo autor, como são quase infinitos, de difícil conclusão, dadas as suas densas e complexas peculiaridades. E o melhor exemplo disso é a Enciclopédia Visual (uma aventura iniciada quase na infância e que até agora está pendente de realização definitiva, só tendo sido mostrada em esparsos momentos expositivos).  

Depois de alguns primeiros livros de poemas, libertados da sintaxe tradicional, Wlademir Dias-Pino já anunciava outra poesia mais orientada para a linguagem do que para a língua (“o poema não se faz com palavras”, disse em depoimento à revista O Cruzeiro, em 2 de março de 1956). Nos anos 1956 e 1957, participa da emblemática I Exposição Nacional de Arte Concreta, em São Paulo e no Rio de Janeiro, e ajuda a fundar o movimento da poesia concreta, ao lado de Haroldo de Campos, Augusto de Campos, Décio Pignatari, Ronaldo Azeredo e Ferreira Gullar, ainda que os desdobramentos de sua pesquisa e invenção, mais orientada para o processo da leitura que da estrutura, e para a valorização da versão sobre a tradução, afastem-no do núcleo paulistano. 

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Imagem do livro A Marca e o Logotipo Brasileiros, 1974

Coincidindo com as atividades de fundação construtiva, a chegada do livro A Ave (1956) é histórica. Moacyr Cirne destaca a data de sua aparição para a literatura brasileira, pela coincidência do lançamento da poesia concreta e a publicação de Grande Sertão: Veredas. Ele corresponde a outro âmbito mais amplo, está no limiar da escrita, de uma noção mais expandida de livro e, portanto, possui outro regime de visualidade. Ao mesmo tempo, A Ave não só tem importância nacional como também internacional, pois pode ser considerado o primeiro livro de artista: produz-se o primeiro livro-poema feito para uma leitura de uso, de manuseio. Como objeto/poema, as páginas não guardam conteúdos, são conteúdo e significado, por meio de matrizes, design, geometrias, perfurações e cores religadas. Este movimento interativo de leitura, de grande fisicalidade, vincula-se com obras referentes de Lygia Clark (Os Bichos), ou também mais tarde com as instalações participativas e públicas de Hélio Oiticica.

 



 
 
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